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IA em produto: onde ela paga a conta

Colocar IA no produto virou item obrigatório de roadmap. Só que ela cobra por uso — e só faz sentido onde resolve um gargalo real.

por Produfy

IA em produto: onde ela paga a conta

Existe uma diferença grande entre usar IA e ter IA no release note. A primeira muda um número do negócio. A segunda muda a landing page.

Ao contrário de quase todo o resto do software, IA cobra por uso. Cada chamada tem preço. Isso muda o cálculo: uma funcionalidade pouco usada e cara pode custar mais que o valor que gera.

Onde costuma valer

Trabalho manual repetitivo e volumoso. Classificar mensagens, extrair dados de documento, resumir conversa. São tarefas em que uma pessoa gasta horas e o modelo gasta centavos.

Entrada não estruturada. Quando o usuário escreve livremente e o sistema precisa entender. Antes disso, a alternativa era um formulário longo que ninguém preenchia.

Geração que seria inviável manualmente. Criar cem variações de um texto, ou montar um vídeo a partir de fotos. Não é que fica mais barato — é que passa a existir.

Onde costuma não valer

Substituir uma busca que funciona. Se filtro e ordenação resolvem, IA adiciona latência, custo e imprevisibilidade.

Decisão que exige estar certa. Qualquer coisa que envolva dinheiro, contrato ou saúde precisa de regra determinística — ou de revisão humana antes de valer.

Chat genérico dentro do produto. Se a pergunta "o que exatamente isso resolve?" não tem resposta específica, o recurso vira custo com métrica de uso decrescente.

Três decisões que definem o custo

Onde a chamada acontece. Rodar por requisição de usuário é caro e imprevisível. Rodar uma vez, no momento em que o dado é criado, e guardar o resultado, é barato — e ainda deixa a leitura instantânea.

O que vai no contexto. Mandar o documento inteiro quando dois parágrafos bastam multiplica a conta em todas as chamadas. Vale investir em recortar bem a entrada.

Se dá para cachear. Se a mesma entrada gera a mesma saída, guardar o resultado elimina a segunda chamada. Vale para classificação e para resumo; não vale para geração criativa.

O que fazer quando falha

Modelo erra, fica lento e às vezes fica fora do ar. Uma funcionalidade que depende de IA precisa responder a três perguntas antes de ir para produção:

  1. O que o usuário vê quando o modelo falha?
  2. Existe caminho manual para concluir a tarefa?
  3. Um erro sutil é percebido, ou passa como se fosse verdade?

A terceira é a mais perigosa. Um resumo silenciosamente errado é pior que um erro visível: ninguém corrige o que não parece quebrado.

Um jeito simples de decidir

Antes de colocar IA em qualquer lugar, complete a frase:

Isto substitui ___ horas de trabalho por mês, ou torna possível ___, e custa cerca de R$ ___ por mês.

Se não der para preencher, ainda não é hora.

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  • #ia
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